Tudo começou em uma tarde de chuva, porque são assim os cenários onde uma grande história de amor começa. Ou pelo menos boa parte delas.
"E se foi um grande amor, só eu sei, eu senti, mergulhei de cabeça no vazio de suas partidas."
Ele era o galanteador frio e indiferente, mas o que ele não esperava é que ela fosse mais fria e misteriosa, a vida a ensinou duras lições deixando cicatrizes em seu coração, a cada investida dele uma cicatriz latejava e ela recuava, se fechando em um mundo só dela onde a solidão era a melhor companhia e o vazio era sua canção favorita, até ali seus problemas batiam de frente e caiam exaustos por não conseguir derrubar os muros construídos em volta de seu coração. Enfrentava qualquer coisa, sua força estava na solidão. Então decidiu se arriscar, tentar, ele sumiu e outro apareceu e se aproveitou derrubou seus muros, sua armadura desarmada, sua mascara foi retirada dolorosamente somente para que um amor entrasse, depositou esperanças nele, mas não foi o certo, pois voltou a se magoar e se fechou, suas cicatrizes estavam abertas, ela estava exposta, estava no chão impotente e vulnerável. O galanteador voltou, a tomou nos braços e ela se entregou sem pensar, estava sendo movida pelos sentimentos dele, cujos sentimentos que a fez confiar, levantar. Se apoiou, se refez, voltou a se banhar de luxuria, mas ele voltou a partir, e ela esperava seu retorno o colocando em um pedestal acima de seu amor próprio, nessa partida seu amor congelou seu coração, suas cicatrizes não eram sentidas, nada a fazia sentir novamente. Ao desistir do Galanteador ela tinha inúmeros defeitos, imperfeições, não era mais uma escultura esculpida pelos Deuses, ao menos não se sentia mais assim. Sentia-se o pó da escultura desfeita com as fortes pancadas do tempo.
Por sob sua pele cicatrizes foram deixadas.