segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Um dos antigos desastres.

Tudo começou em uma tarde de chuva, porque são assim os cenários onde uma grande história de amor começa. Ou pelo menos boa parte delas.


"E se foi um grande amor, só eu sei, eu senti, mergulhei de cabeça no vazio de suas partidas."


 Ele era o galanteador frio e indiferente, mas o que ele não esperava é que ela fosse mais fria e misteriosa, a vida a ensinou duras lições deixando cicatrizes em seu coração, a cada investida dele uma cicatriz latejava e ela recuava, se fechando em um mundo só dela onde a solidão era a melhor companhia e o vazio era sua canção favorita, até ali seus problemas batiam de frente e caiam exaustos por não conseguir derrubar os muros construídos em volta de seu coração. Enfrentava qualquer coisa, sua força estava na solidão. Então decidiu se arriscar, tentar, ele sumiu e outro apareceu e se aproveitou derrubou seus muros, sua armadura desarmada, sua mascara foi retirada dolorosamente somente para que um amor entrasse, depositou esperanças nele, mas não foi o certo, pois voltou a se magoar e se fechou, suas cicatrizes estavam abertas, ela estava exposta, estava no chão impotente e vulnerável. O galanteador voltou, a tomou nos braços e ela se entregou sem pensar, estava sendo movida pelos sentimentos dele, cujos sentimentos que a fez confiar, levantar. Se apoiou, se refez, voltou a se banhar de luxuria, mas ele voltou a partir, e ela esperava seu retorno o colocando em um pedestal acima de seu amor próprio, nessa partida seu amor congelou seu coração, suas cicatrizes não eram sentidas, nada a fazia sentir novamente. Ao desistir do Galanteador ela tinha inúmeros defeitos, imperfeições, não era mais uma escultura esculpida pelos Deuses, ao menos não se sentia mais assim. Sentia-se o pó da escultura desfeita com as fortes pancadas do tempo.



Por sob sua pele cicatrizes foram deixadas.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010



“Ás vezes eu sinto que há um buraco em mim. Um vazio que, ás vezes, parece queimar. Acho que se pudéssemos ver o coração das pessoas veriam o meu em chamas. Eu sonho em ser inteira... Em não dormir toda noite desejando algo mais completo do que posso ter, quando o vento está quente e os grilos cantam, sonho com um amor que faça até o tempo parar, ou com a felicidade constante. Quero ser vista. Não sei. Talvez eu já tenha tido a minha felicidade. Não quero acreditar nisso, mas no fim da noite eu ainda me vejo sozinha, e no clarear do dia ainda estou onde não devia estar mais insisto em ficar. Não espero um príncipe em um cavalo branco, e eu sei que muitos não esperam uma princesa em apuros, e a princesa cansa de esperar e sai à procura, não do príncipe mais da felicidade incondicional. E a fantasia, o imaginário pode ser tão melhor do que o real, mais o real pode ser tão mais excitante do que a fantasia. O previsível mortifica. E sempre estamos divididos entre o que queremos e o que temos. E eu vivo no vazio.”




sexta-feira, 6 de agosto de 2010





Igualzinho ao que acontece com todas as pessoas, num trecho ou outro da estrada, eu já senti tanta dor que parecia que os golpes haviam me quebrado toda por dentro. Não sabia se era possível juntar os pedaços, por onde começar, nem se o cansaço me permitiria movimentos na direção de qualquer tentativa. Quando o susto é grande e dói assim, a gente precisa de algum tempo para recuperar o fôlego outra vez. Para voltar a caminhar sem contrair tanto os ombros e a vida. Um espaço para a gente quase se reinventar.
O tempo passa. O fôlego retorna. Parece milagre, mas as sementes de cura começam a florescer nos mesmos jardins onde parecia que nenhuma outra flor brotaria. A alma é sábia: enquanto achamos que só existe dor, ela trabalha, em silêncio, para tecer o momento novo. E ele chega e você percebe que o mundo não para pra você reconstruir o seu coração, ele deve estar sempre em constante reconstrução.


"E, mesmo quando o vento consegue derrubar um dos meus pilares, me alegra ver que tenho gente pronta pra me reformar."